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Falando da África

O sofá "Do-lo-rez", design de Ron Arad, revestido em diversos tecidos africanos mostram só um pouco da beleza que ainda desconhecemos, dos países daquele continente

Li este post sobre os lançamentos da Moroso inspirados na África, na feira de Milão do ano passado, por indicação da Izabella Cavalcanti, amiga do Twitter. Ela também fez um post em seu blog sobre o que ela mais gostou. Achei interessantíssima a iniciativa da empresa pois joga luzes sobre um verdadeiro mundo desconhecido de todos: o continente africano.

Para além de qualquer conhecimento superficial da África – que identificamos logo com tribos que mal saíram de períodos primitivos de nossa raça, ou com safáris e animais ferozes – a gente começa a perceber que realmente é um mundo muito pouco conhecido. Do norte, mais próximo da Europa e portanto mais explorado em sua arte e cultura, ao sul, de onde saem verdadeiras riquezas naturais para todo o mundo (petróleo e pedras preciosas), passando pelo centro africano, com países menos abertos ao estrangeiro e muito, muito pobres, salta aos olhos que há uma enorme riqueza cultural praticamente desconhecida por nossos olhos ocidentais. A iniciativa da Moroso de ir até algumas localidades e desenvolver uma linha de produtos com esta inspiração só mostra um pedacinho desta riqueza.

Das poltronas, bancos e cadeiras que designers como Patricia Urquiola, Tord Boontje e Philippe Bestenaider, criaram dentro da proposta da empresa – e que, confesso, não me agradaram muito – às peças criadas por designers africanos mesmo, fiquei muito mais interessada na riquíssima beleza dos tecidos que misturam cores e linhas realmente diferentes das que estamos acostumados. É um design de superfície único – como diria a mestra Renata Rubim – especial e comovente. Comove pois é feito com o mínimo de recursos, sem suportes técnicos ou qualquer artefato especial e vem de dentro do ser, das mulheres senegalesas, por exemplo – responsáveis por grande parte da criação destes têxteis – e de povos que não têm sequer uma língua escrita, mas que sabem criar beleza como poucos.

Aqui no Brasil raramente encontro produtos africanos. Existia uma loja especializada em Copacabana – que não encontrei mais – que trazia peças autênticas e exóticas e alguns tecidos maravilhosos. Creio que fora do país existam lojas especializadas, mas não são muito conhecidas – na França por exemplo há muita coisa da Argélia e do Marrocos, mas já são estilos mais conhecidos e ligados a uma outra estética, que tem a ver com a religião muçulmana e o modo de vida dos povos do deserto. Enfim é um vasto mundo, dentro do nosso mundo, que ainda conhecemos tão pouco, e que tanto pode nos inspirar – senão mesmo ensinar – a compor, com elementos simples, uma nova estética que nem sequer imaginamos.

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7 Respostas para “Falando da África”

  1. Helô disse:

    Os tecidos africanos são apaixonantes, concordo com você.

  2. Izabella disse:

    Obrigada pela indicação… lindo post!

  3. Renata Rubim disse:

    Maria Alice ! Aí está a confirmação da minha paixão por superfícies! Alem da beleza de uma superfície bem concebida (ou tratada) me encantam demais os “patterns” (a palavra padrões, em portugues não traduz direito o sentido) que parecem “músicas visuais” e que dançam ao sabor da mão e da inspiração.
    Belo exemplo!
    Um abraço, Renata

  4. Marisa Lima disse:

    Os africanos realmente usam com muita propriedade as estampas. A começar pelas túnicas que vestem.
    Bjs

  5. Maria Alice Miller disse:

    Oi Helô e Marisa, de fato, os tecidos africanos são in-crí-veis.
    Bjs!

  6. Maria Alice Miller disse:

    Oi Izabella, obrigada a você pela indicação.
    Bjs!

  7. Maria Alice Miller disse:

    Olá Renata, que bom vê-la por aqui. Realmente um design de superfície bem feito muda tudo não é? Que bom que acertei no exemplo.
    Bjs!

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