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Crônica de uma morte anunciada

Até na minha sala!

Todo mundo sabe que modismos passam. Mas poucos param para refletir o porquê desse processo. Um dos ingredientes é o uso excessivo de determinado item: pode ser um jeito de usar, uma cor, uma forma, uma técnica, qualquer coisa que se use repetidamente acaba por cansar todo mundo a um ponto que ninguém mais quer ver aquilo pela frente durante um bom tempo. Em design isso acontece muito, e a gente é que perde.

Perde porque às vezes um recurso que pode servir para dar uma boa solução para um determinado espaço já está tão “batido”, que nem a gente nem o Cliente tem coragem de usá-lo numa hora realmente necessária. E estou vendo que isso vai acontecer, breve, breve, com os adesivos decorativos.

Foi por isso que coloquei esta imagem de minha sala: era um espaço que eu queria preencher com algo interessante e o skyline de Nova Iorque me atraiu (além de haver uma ligação com outra parte deste ponto da casa que, no final, fiquei sem fazer). A solução do adesivo foi perfeita pois a parede pode ter que sofrer uma reforma (é parede “molhada”, onde passam encanamentos do banheiro): barato, fácil de fazer e rápido de aplicar. Pois bem, tá tudo certo, mas a massificação do uso dos adesivos em todos os cantos da casa – do espelho do banheiro aos tetos, passando por paredes, portas, armários, equipamentos, janelas, enfim, todo canto – vai levar a um cansaço deste item tão indicado em várias situações.

Não acredita? Então lembre-se de algum tempo atrás, quando a pátina era o “xodó″ de todo mundo que queria renovar um móvel. Acho que nenhuma outra pintura especial teve tanto apelo quanto a pátina, e bastava ver um móvel velho para seu dono pensar: “pátina nele”. Depois de algum tempo, soube de gente que queria patinar o piso, as paredes, o mobiliário e, se possível, até os vidros das janelas!

E com esse uso massificado e massificante, a pátina teve seus dias de glória… para acabar no ostracismo. Hoje em dia, se alguém fala em renovar um móvel através de pátina – uma ótima técnica para várias situações – tem gente que logo torce o nariz e prefere fazer um crediário para comprar outra peça – mas nada de pátina!

É assim mesmo que a coisa funciona, mas vale lembrar que as coisas não “acabam” simplesmente. Elas cansam mesmo, se são usadas em exagero. Vamos aprender a dosar?

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2 Respostas para “Crônica de uma morte anunciada”

  1. Marisa Lima disse:

    Os adesivos com desenhos acho legais, porém as frases adesivadas, acho que já cansaram.
    Mas como você disse” tudo passa” e eu acrescento : depois volta.
    Bjs

  2. Com toda certeza, Marisa: tudo volta…
    Bjs!

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