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Um arquiteto carioca

Affonso Eduardo Reidy, arquiteto carioca. Você sabe de quem estou falando? De um dos maiores gênios da arquitetura brasileira. Conheça mais sobre ele no belo post de Fabio di Mauro:

Confesso que sou um apaixonado pela Arquitetura Moderna Brasileira e que em sua fonte bebo para projetar ou lecionar minhas aulas de conforto ambiental e ergonomia. Assim, hoje decidi falar um pouco da produção arquitetônica tupiniquim e, para isso, voltarei no tempo e no espaço.

Ele nasceu em Paris no ano de 1909, mas dedicou a brilhante carreira de Arquiteto ao seu amado Rio de Janeiro. Estou falando de Affonso Eduardo Reidy, autor de grandes obras de arquitetura e urbanismo entre as décadas de 30 a 60, desaparecido precocemente aos 55 anos e que, embora tenha sido um dos maiores ícones do Modernismo, permanece injustamente à sombra de nomes como Lúcio Costa e Oscar Niemeyer.

Vencedor da 1ª Exposição Internacional de Arquitetura durante a I Bienal de São Paulo, é de sua autoria o primeiro edifício feito em concreto aparente no Brasil, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM), além do Projeto Urbanístico do Aterro do Flamengo, com paisagismo de Roberto Burle Marx e do Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes – ou simplesmente Conjunto Pedregulho, no bairro de Benfica, também no Rio.

Vista noturna do Museu de Arte Moderna (MAM), Rio de Janeiro. Clique para ver maior.

Este último, em particular, é uma obra prima da Arquitetura Moderna, sendo referência internacional em habitações sociais até hoje e elogiada por monstros sagrados da época como Max Bill, Mies Van der Rohe e Le Corbusier, aliás seu mentor.

Vista aérea do Conjunto Pedregulho. Clique para ver maior.

O conceito do projeto era o de conceber um conjunto habitacional em um lugar a princípio desfavorável sob o ponto de vista construtivo (uma encosta), e transformar o obstáculo em virtude, oferecendo uma moradia digna aos trabalhadores que ali se instalariam, com toda infraestrutura necessária, como centro de saúde, escola, comércio, lazer e esporte.

Isso fica claro na implantação dos edifícios, que se agrupam harmoniosamente, utilizando soluções construtivas racionais, não agredindo o relevo natural e contextualizando com a paisagem.

Implantação do Conjunto Pedregulho. Clique para ver maior.

Fruto disso é a forma do edifício principal do conjunto, um bloco sinuoso que acompanha a topografia da encosta e abriga unidades habitacionais de modo que os moradores tenham, além de todas as condicionantes naturais de conforto, uma visão magnífica da Baía de Guanabara.

Apesar do descaso e da deterioração de alguns prédios, como o da saúde, ainda é possível admirar o magnífico painel de Candido Portinari na academia, onde atualmente funciona uma escola municipal, e que é uma referência à Pampulha de Niemeyer, com quem chegou a dividir escritório quando ainda eram amigos.

Painel de Azulejos criado por Cândido Portinari. Clique para ver maior.

Profissional idealista, sempre defendeu o uso da arquitetura como instrumento de integração do homem com seus semelhantes e com a natureza, mesmo que para isso tivesse que recusar propostas de grandes políticos e cair no ostracismo.

Mas não para quem conhece a história deste Arquiteto carioca. Obrigado Reidy!

Fale com Fabio Di Mauro.

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