
Lindas tulipas além de poltroninhas bárbaras no "Apartamento em Paris" de Dado Castelo Branco na Mostra Black. Clique para ver maior.
É, tem nova mostra na praça – e muita fofoca em torno, é claro, hehehehe… ![]()
Explicando para quem não é do meio: a Mostra Hyundai Black foi planejada para acontecer em São Paulo na época do principal evento de decoração da cidade, que é a nossa velha conhecida Casa Cor. Lógico que os organizadores da segunda não gostaram desta “concorrência”, e o que se diz da escolha do nome da mostra não é pra agradar mesmo: a ideia é que o “conceito black” tem a ver com o que é melhor, mais sofisticado, de melhor qualidade. Daí, é lógico que os profissionais de Casa Cor fizeram beicinho: afinal, você trabalha pacas, investe muito dinheiro, badala e ainda te dizem que você é de “segunda linha”? Ninguém aguenta… ![]()
O fato é que, para a elite paulistana, há mais uma mostra pra ver nesta época do ano – e pelo que vejo no release haverá o mesmo em outras cidades… Sim, é mostra de elite, pois em tudo se fala do luxo. E o valor do ingresso – 100 reais – seleciona quem pode ir tranquilamente de quem vai pois quer estar com “boa aparência”. Foi de propósito e não há que se dizer que “é caro”. É simples, minha gente: é pra quem pode e ponto. Afinal de contas se você decidir adquirir apenas uma caixinha que está numa mesa de centro da mostra vai desembolsar míseros 4.800 reais… ![]()
Discussões, confusões, brocados e cristais devidamente jogados uns nos outros, passemos ao principal: a mostra em si. Uma virtude eu acho que ela tem: ser pequena. São apenas 14 ambientes e isso facilita muito ter uma ideia, um consenso do que se viu. Os profissionais – selecionados a dedo entre os que atendem aos nobres paulistas – se preocuparam em mostrar tudo do melhor para quem pode pagar. Só que a pegada foi muito forte, e o que era pra ser uma casa de classe superior com o melhor dos interiores ficou meio escura demais, pesada demais e cheia demais. Como eu sempre digo que espaço é o luxo maior, foi uma decepção ver as fotos que vi. Dificílimo escolher um ambiente que “gostei mais”. Pelas fotos – aliás excelentes, do Portal Arkpad – o que se vê é muita extravagância e pouca imaginação.
A mostra é black mas tem dois ambientes muito red: vermelho bem vermelho são o Hall de entrada de Guto Requena e o chamado “Red Room” de Roberto Migoto. Porque não fizeram uma “black room” eu não sei, mas deve ser porque todo mundo escolheu o cinza como base para os espaços, e aí não haveria cor em lugar nenhum da mostra!
Continuando: Guto fez uma instalação interativa bem ao estilo de quem é “pesquisador de moradia”. Não gostei, não só da cor como da forma: todas as fotos mostram uma silhueta de “casinha” no espaço. Destacar “coisas que restaram dos antigos moradores do palacete e trazê-los como lembrança” já foi feito em outras ocasiões, e pra quem vai em mostra de interiores, é um espaço de arte e nada mais.
Jorge Elias foi direto no luxo para acertar, mas ficou foi tudo muito cheio. Sua “Biblioteca” me deu foi uma sensação de calor e de sufocamento – e olha que eu curto livros e bibliotecas antigas hein? Já a Biblioteca de Ana Maria Vieira Santos – com living – está um pouco melhor, mais ampla, mais confortável. Não gostei do cinza das paredes, que até foi bem temperado com vermelhinhos nos objetos, mas, sei lá, não tem a cara dos ambientes com muita feminilidade, glamour e leveza que a profissional fez em outros tempos.
Dado Castelo Branco também foi de cinza, mas foi mais suave. Um belo espaço com a classe de sempre do Dado. Simpático mesmo ficou a “Champanheria” de David Bastos: se eu não conhecesse trabalhos dos outros profissionais diria que a Bahia brilhou na mostra paulistana, hehehehe… Elegante, leve, com a luz do exterior pra dentro, foi um dos melhoes espaços. E viva a Bahia! ![]()
Parece incrível mas Fernanda Marques também entupiu seu “Lounge garagem”. Não parece um espaço de Fernanda, mas uma colagem de “mil coisas bacanas que um homem rico pode querer ter em casa”. As muitas geladeiras no canto da mesa até foram uma bela sacada mas… será preciso tudo isso mesmo? E o tapete do lounge eu já vi, acho, numa Casa Cor passada, num ambiente do Armentano (vixe!
)
E por falar em João Armentano eu ia dizer que seu “Sótão” está fraco para o que eu conheço dele. Mas acho que a composição foi efeito de tanta coisa que ele viu nos outros ambientes e resolveu fazer um amplo espaço com paredes branquinhas e pouca coisa, para contrastar com os demais. Não tem nem o mesmo charme nem o mesmo brilho de centenas de outros trabalhos dele, mas frente ao restante, é um ambiente pra se respirar. Ufa! ![]()

Gazebo em amarelo e um lindo espelho d'água no "Jardim da Piscina" de Alex Hanazaki. Clique para ver maior.
Até Sig Bergamin, com seu “caldeirão” onde tudo dá certo, perdeu a mão e encheu demais o espaço, desandando no seu próprio tempero. Cadê as sacadas de mestre com um único item? Para que boiserie marrom? Toy art é um luxo atual, mas este cãozinho ficou foi mesmo deslocado na atmosfera invernal do “Living”. De novo pontos de vermelho aqui e ali me lembram que a mostra devia se chamar “red“, ao invés de “black“…
Enfim, os ambientes externos de Alex Hanazaki e Marcelo Faisal me pareceram melhores mesmo do que tudo que se vê no interior. O primeiro fez o festejado – e já cansativo, vamos dizer a verdade – jardim vertical. Mas fez também um espelho d’água lindíssimo com pedras verdes no fundo. O gazebo amarelo também ficou um charme. Já Faisal fez um pergolado lindo usando preto de uma forma sensacional, mostrando que preto é chique mesmo, fica lindo, mas tem que saber usar…
Sinceramente, black é tudo de bom, mas acho que ficou todo mundo muito nervoso com a estreia na nova mostra… ![]()
PS importante 1: veja aqui um vídeo do making-of da mostra.
PS importante 2: sou a favor de ter mostras de todo tipo: de elite, de classe média, de classe média baixa, de “desclassificados” . Pra mim, o importante é divulgar a todos que desconhecem largamente o poder transformador dos profissionais de interiores.
PS importante 3: em todos os textos e releases sobre a mostra leio umas 50 vezes a palavra “atemporal”. É uma boa palavra para definir um espaço, mas para quê tanta preocupação? Claro que fica tudo datado mesmo! Coragem em assumir um trabalho, gente!
PS importante 4: que mania terceiro-mundista de dizer que o tal espaço “poderia ocupar qualquer moradia em Londres, Nova York ou Tóquio”. Vivemos no Brasil, e apesar de tudo, acredito que temos beleza suficiente por aqui mesmo pra precisar se reportar a outras cidades.
Serviço:
Hyundai Mostra Black
De 22 de junho a 17 de julho de 2011
Rua Groenlândia, 448 - Jardins – São Paulo – SP
Tel: (11) 2609-2522 e 2609-2532
De terça a sábado e feriados das 12 às 20h30; Domingos das 11 às 19h30
Bilheteria no local das 11 às 19h30, de terça a domingo.
Muito boa crítica! Faz jus à algumas impressões que tive ao visitar a mostra.
Mas como a mostra tem profissionais dos mais gabaritados, procurei tentar enxergar qualidades que nos escapam logo de cara, tentar entender as diferenças.
Em uma comparação com outras mostras por exemplo, que parecem um pouco com fastfood, de fácil absorção, dá pra perceber que os ambientes da Mostra Black são mais profundos, revelando mais a alma e as peculiaridades de cada artista.
Ao olhar para as fotos do ambiente do Sig, por exemplo, reparei em muitos detalhes e na rica composição de cores, e acabei enxergando muito mais do que quando estive presente.
Não é meu estilo, jamais faria minha sala daquela forma, mas reconheço como trabalho artístico: com muita sensibilidade o autor criou uma riquíssima composição de cores, formas, materiais, texturas.
Desde a indagação de Guto Requena, logo na entrada, “o que faz da casa um lar?”, o percurso da mostra apresenta ambientes carregados de arte e cultura, com muitos livros e objetos, quase pessoais.
Concordo com a autora do blog, sou a favor de mostras de todo tipo. Acho que o confronto entre esta e aquela postura permite a cada um de nós elaborar melhor o nosso ideal de espaço.
Olá Bruno muitíssimo obrigada por sua visita e por seu comentário. Fico feliz em verificar que algumas pessoas visitam as mostras como eu, “desconstruindo” e re-pensando as propostas – não simplesmente achando “bonito” ou “feio”. Interiores (e arquitetura, é claro), vai muito além do simples gosto, superficial e volúvel, e envolve ambiência, sensações experienciadas e um sem número de outros aspectos que é raro vermos hoje em dia em qualquer análise neste ramo de atividade.
E, com certeza, por ter estado nos ambientes da mostra, mais que eu, que vi as fotos, você pode opinar embasadamente. Adorei!
Um abraço!
Oi, tudo bem?
você tem um e-mail de contato? Gostaria de enviar sugestões.
Olá Larissa, o e-mail do blog é blog@casacomdesign.com.br
Abs!