Na última sexta estive no brunch para a imprensa na Casa Cor Rio deste ano. Foi muito legal poder andar por todo lado sem aquele roteiro definido que começa no período de exposição pra valer. Também tem seus inconvenientes: a gente se perde fácil e acaba por não ver algo!
E a mostra ainda estava sendo montada: havia espaços com móveis embrulhados, um espaço ainda com gente quebrando e batendo (não me perguntem qual, que eu nem sei, mas se eu fosse o profissional responsável estaria tendo um troço…
), e a Light (companhia de eletricidade aqui do Rio), não tinha se entendido ainda com o fornecimento de energia: ora tinha luz, ora não tinha. Por conta disso, não deu nem pra ver alguns espaços, pois estão em partes internas, sem nenhuma janelinha sequer, e aí, só depois pra saber o que têm… ![]()
Mas há o contato direto com os profissionais e isso é bem legal. Quem fica nos espaços dando os últimos retoques e conversando com quem vem ver o que foi feito ganha pontos pois mostra detalhes, explica algumas coisas e, em geral, faz novos amigos. Eu, que falo pelos cotovelos, fiquei um pouco mais conhecida, pois a verdade é que é raro sair da “minha toca” e quando me identificam com o Casa com Design é divertido. ![]()
“E aí, o que tem pra ver de bom neste ano?” é a pergunta de todos vocês. Muita coisa. A começar pelo palacete Linneo de Paula Machado que, como o do ano passado, é o destaque da mostra. Onde, me digam, onde encontrar pé direito de quase 5 metros de altura, tetos trabalhados e lustres de cristal legítimos, um mais bonito que o outro? Onde encontrar pia de prata de lei, vitrais que iluminam ambientes internos fartamente e azulejos trabalhadíssimos, em lugares por onde só a criadagem andava? Acho que agora, só se alguém for visitar um palácio de um sheik das arábias para encontrar tais coisas numa casa… E os profissionais brindados com ambientes com o melhor deste passado de fausto e muito bom gosto souberam respeitá-lo e valorizá-lo.
Caso do “Átrio” de Geraldo Lamego e da “Sala de Banho do Casal” de Luiz Fernando Grabowsky. Lamego trabalhou mais, mas a recuperação e ambientação de seu espaço ficaram muito bonitas. Grabowsky teve mais trabalho em reconhecer o que era de verdade para recuperar – exemplo dos metais da bancada, que são lindíssimos , e das bacias em prata – e trouxe à vida um banheiro realmente lindo: imperdível e deslumbrante.
Nos demais espaços, quase todo mundo “ganhou de presente” um lustre para recuperar e cuidar. No “Escritório” de Mário Santos, Eliane Amarante e Denise Niemeyer ele foi mostrado como obra de arte que é mesmo, e ficou muito bem. Lila May Bueno recuperou o seu e postou-o como pendente no canto do ambiente, onde está dando aula de bom gosto: um luxo… ![]()
No primeiro piso, Paola Ribeiro ficou com um espaço grandioso e soube fazer a “Sala de Jantar“. Gisele Taranto partiu para o extremo e trabalhou o teto de seu “Living” com diversos pendentes modernos – aposta arriscada que ficou bem. Ricardo Melo e Rodrigo Passos fizeram um Lavabo/Boudoir parecendo uma joia e deu certo. Caco Borges ficou com o “Grande Hall” e usou muita cor e móveis modernos. Espaços menores no que seriam as antigas cozinha, despensa e outras áreas de serviço da casa também parecem bem feitos mas, estavam confusos, deixo para a “visita master”. ![]()

Cor, plantas e lançamento em puxadores da Pado no espaço de Claudio Pedalino e Suzi Barreto. Clique para ver maior.
No segundo piso o “Estar Íntimo” de Marise Marini está simples e no ponto: apesar de achar que a poltrona “Egg” está over utilizada atualmente, principalmente em mostras, compôs bem com outras pecas e a foto testemunha a beleza do que está por lá. E os vitrais do teto chamam a atenção, claro. Lindo, veradeiramente lindo, o “Quarto da Jovem Escritora” de Marise Kessel e Carmen Zaccaro que aproveitaram para lançar nova linha de móveis de sua Quarto Composto. O branco com a luz natural do dia ficou sensacional. E elas têm muito bom gosto… ![]()
Marcia Müller manteve o lindo tom celadon que encontrou nas paredes da “Suíte do Casal” e fez muito bem. Estava escuro, mas vou apostar que está bonito quando iluminado. O tecido parecendo ikat em azul marinho nas cortinas ficou muito bem. Cynthia Pedrosa fez uma “Sala de Vestir do Casal” elegante e muito bonita, mantendo detalhes presentes no espaço como a linda boiserie e usou tons de amarelo para completar. Isabella Augusto de Lima e João Meirelles fizeram a “Suíte do Rapaz” em tempo recorde e muito bem feita – observem os detalhes. As crianças também foram muito bem lembradas: muito fofo o “Quarto do Bebê” em tons de jeans, branco e vermelho de Tatiana Lopes, e muitas sacadas no “Quarto das Crianças” de Luciana Nasajon, Mabel Graham Bell e Juliana Castro. Para completar, o “Solarium” de Angela Frota e Anna Luiza Rothier é praticamente um estar a céu aberto e está muito bem composto.
Nos jardins, mais surpresas: os da frente da mansão ainda estavam sendo montados, eu deixei-os de lado neste dia. O de Paula Bergamin está um encanto – ou um recanto? – bem especial. A praça principal, grande e complexa, foi toda bem tratada por minhas amigas Emmilia Cardoso e Marisa Lima: tem móveis da Saccaro, laguinho com peixes, fonte de água potável (importante dizer, tem filtro gente!) e um trabalho de paisagismo muito bonito. E aí, tenho que falar dos pavilhões e anexos.
Paula Neder fez o “Café” simples e amplo, me agradou. Isabella Lessa teve uma sacada de mestre na “Fotogaleria“, mas só vou comentar quando fizer o post oficial.
Jairo de Sender fez um espaço para comidinhas e bebericos muito agradável e – eu disse a ele – quase “clássico”, em relação ao que ele vinha apresentando nas mostras passadas (loucuras fora, muitas peças interessantes). O espaço da Deca foi muito bem tratado por Bel Lobo e Bob Néri e será um choque: pra quem vem esperando por spas e banheiros limpíssimos, espere e verá. Eu adorei e acho que os profissionais, como sempre, saíram do lugar comum e se deram bem.
Uma delícia (em todos os sentidos) a “Chocolateria” de Dani Parreira e Flavia Santoro, a “Loja da Casa” – com peças de Lala Bortolini – de Thony Litsz, e a “Loja Casa Cor” – com coisinhas dO Sol – de Jacira Pinheiro. Uma surpresa já quase na saída, o espaço do CasaShopping, o “Ponto de Encontro” de Leila Dionizios: um lounge bonito, cheio de bons revestimentos e boas peças, e uma ideia de gênio para divulgar facilitar quem quer levar pra casa o que se curtiu da mostra para ver depois, numa loja.
Por hoje é só, e já contei muito! Quando fizer a visita oficial posto mais e comento mais (e mostro mais também). Hoje é só um aperitivo…
PS: celadon é um tom de verde lindo, que só vendo pra crer.
PS 2: essas fotinhas foram tiradas por mim, e me concentrei nos detalhes mesmo. Vão visitar a mostra gente!
Adoro visitar teu site e passear pelos espaços de mostras que não posso ver pessoalmente. Tu descreves tão bem que é como se a gente estivesse por lá.
Beijos
Oi Elenara, obrigada. De fato faço o possível para que seja assim: como se quem não está, pudesse “ver” o que vi.
Bjs!