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Appetite for Destruction

Muitos - e belos - objetos e móveis antigos à disposição: será mesmo preciso produzir mais?

(…)ainda temos apetite por todo este mobiliário? Em outras palavras: será que as pessoas conseguem absorver tantas novidades no espaço de apenas um ano?(…)

A frase em destaque é de autoria de Chris Campos em um post em seu blog e me deu um estalo. “Estalo” este que já deve ter acontecido com muita gente, mas que demora um pouco pra “cair a ficha” em muitos de nós. Nos dizemos a favor da sustentabilidade, da reciclagem, do reúso, da ecologia, da proteção às matas e florestas, fauna e flora de todo o mundo, mas, de verdade, o que temos feito DE FATO, no nível micro, para ajudar a este planeta tão desgastado em que vivemos?

Sim, já fiz outro post parecido por aqui, mas a abordagem deste é um pouco diferente: afinal de contas, como falamos em casa, decoração, arquitetura e design, temos a nossa “parcela de culpa” no consumo de recursos que, se não pensássemos em trocar o sofá ou as cortinas do quarto, ficariam quietinhos lá, no canto deles.

Esse assunto é muito sério pois mexe com a economia dos países e “mexer no bolso” de qualquer um, dói… Que país vai espontaneamente reduzir sua produção, desta ou daquela matéria prima, em nome da ecologia? Já vimos na Rio+20 que, na verdade, o conjunto de países que participou da conferência apenas ratificou sua posição de “nada fazer”. Enquanto isso, nas ruas e eventos paralelos, muita gente juntou a sua voz e presença pedindo para haver um basta do consumo de recursos naturais.

Shopping lotado: será que todos padecemos da "doença do consumismo"?

Aí é que entra esta questão que a Chris colocou: para que tantos lançamentos? São milhares de móveis, materiais, objetos, eletroeletrônicos e mil outras coisas para uso doméstico que são consumidos (eu diria até mesmo “devorados”), por uma população que anseia pelo novo. Os celulares são um exemplo dos mais fáceis de perceber esta situação: apesar de não ficarem obsoletos (ou quebrados, ou velhos), eles são trocados praticamente a cada trimestre por modelos melhores e com mais funções. Daí a pergunta de novo: para que tanta “novidade”?

Um amigo argumentou que precisava dos lançamentos, para se manter atualizado, para ter concorrência, para poder atender melhor a seus Clientes. E aí eu pergunto: e porque os Clientes não podem viver em casas com o que já temos produzido no mundo até o presente momento? Sim, entra a questão econômica de novo, e esta é uma questão delicada: parar as pesquisas e as fábricas é um “suicídio econômico”. Mas será mesmo que precisamos do novo, do novíssimo, para termos uma casa bonita e confortável?

Renovar um móvel é sempre melhor que comprar um novo, mas também aqui há consumo de recursos: tintas, tecidos, lixas, etc...

Creio que estamos num ponto em que a oferta de produtos e serviços para casa e interiores em todo o mundo está próxima da saturação. É claro que novos equipamentos também podem auxiliar a reduzir o impacto ambiental de nossas vidas, tão gastadeiras de energia, de água, de insumos minerais… Mas será que isso justifica tanta coisa nova? Acredito que uma voracidade menor quando da montagem de uma casa, ou na remodelagem de um ambiente é possível. Não se trata apenas de pintar a antiga cristaleira e usá-la em outro cômodo. Trata-se de checar se, efetivamente, é preciso consumir mesmo.

PS 1: Sim, eu leio o blog da Chris Campos e fiquei super feliz nesta semana em que ela começou a seguir nosso bloguinho aqui no Twitter!

PS 2: O título deste post é do álbum de lançamento do Guns’n Roses no longínquo ano de 1987. Acho que estou começando a reciclar frases também…

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2 Respostas para ““Appetite for Destruction“”

  1. Talma Martins disse:

    Pois é…meu “start” deu-se faz tempo. Mais precisamente, quando comecei a fazer em casa, o sistema de organização “Fly Lady”. Ali,reorganizando a infinidade de coisas que eu tinha ( e ainda tenho) em casa, eu fui percebendo algumas coisas:
    1. Eu era consumista.
    2. Eu não precisava de tudo aquilo (real necessidade).
    3. Eu tinha coisas em dobro.
    4. Eu comprava muita “porcaria”, gastando valores que, se tivesse comprado coisas de “primeira linha”, não precisaria comprar novamente, outro similar.
    Todas essas constatações, me levaram a admirar muito o minimalismo. Prá quê uma estante cheias de badulaques? Prá viver escrava dela, tirando o pó??
    Hoje eu avalio uma compra usando alguns critérios:
    1. Eu preciso mesmo disso?
    2. Se preciso, eu vou voltar para comprar, mais tarde. Então não compro na hora.
    3. Vai durar ou vou ter que comprar outro, logo em seguida?
    4. Qual trabalho que vou ter, para manter isso comigo??
    O resultado disso foi que mandei embora de casa (doação) dois caminhões cheios de coisas que eu tinha em casa e toda a semana avalio os íntens que eu toco. Ainda serve?? Preiso mesmo disso?? Amo muito isso, para manter??
    Mantenho dois organizadores, dentro do meu closet, só para doações. Então, cada vez que coloco uma roupa ou mexo numa gaveta e percebo que aquela roupa já não é mais usada por mim, eu coloco nessas caixas.
    Outra dica é que, quando entra um casaco, sai outro similar. Assim a gente evita o acúmulo.
    Excelente post, parabéns!!

  2. Maria Alice disse:

    Olá Talma, muito obrigada pela visita, pelo comentário e pelo elogio ao post. Adorei a descrição do seu “processo” e estou tentando muito algo do tipo. De verdade mesmo, a gente precisa de muito pouco para viver, mas vive se cercando de coisas e mais coisas, talvez numa tentativa vã de “ter a posse” de algo, quando na verdade, nem de nosso corpo temos a propriedade no fim -eu acredito nisso…
    Muito legal! Muito obrigada mesmo!
    Um abraço!

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