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Móvel Moderno no Brasil

A Professora Maria Cecília autografando a nova edição de seu maravilhoso livro.

A Professora Maria Cecília autografando a nova edição de seu maravilhoso livro.

Desde que comecei a estudar interiores e passei a “comer”  design de todas as formas – nacional inclusive, de mobiliário e objetos inclusive  – tomei conhecimento do livro da Professora Maria Cecília Loschiavo dos Santos – especialista em design e professora da USP – “Móvel Moderno no Brasil“, e não poderia deixar de cobiçá-lo para minha “biblioteca particular” – se é que meu ‘ajuntamento’ de livros pode ser chamado de biblioteca…  Mas o caso é que, ao estar cursando faculdade, o livro estava esgotado, o que muito me frustrava, pois era a hora de estar totalmente ligada no design, de todas as formas!  Paciência, ele entrou para minha listinha de desejos e por lá ficou, por muito tempo. Não que me faltasse o empenho da garimpagem: nunca faltou. Houve livros que garimpei Brasil afora, em cidades que passei até por acaso, em sebos e bancas de jornal em qualquer cantinho, com dados que eu guardava de cabeça para procurar, acreditem! E este livro era um desses casos… Mas nunca o encontrei: o valor era muito alto para que ele ficasse “dando mole” em banquinha qualquer: quem tinha o seu, guardava em lugar nobre de casa.

A capa da primeira edição, de 1995: esgotada enquanto eu cursava Design de Interiores.

A capa da primeira edição, de 1995: esgotada enquanto eu cursava Design de Interiores.

Mas a sorte me sorriu bonito e na última visita que fiz a Sampa, por ocasião da Expo Revestir 2015, lá estava agendado no Museu da Casa Brasileira, ali na Faria Lima, noite de autógrafos com a professora Maria Cecília, além de debate com alguns dos bons designers brasileiros – Carlos Motta, Fernando Jaeger e Zanini de Zanine – sobre o lançamento da segunda edição do tão desejado livro. Momento imperdível: depois de 20 anos da primeira e única edição que perdi, a editora resolveu lançar nova edição em alto estilo: parecia que estavam me esperando ali, naquela noite!

A capa da segunda edição, 20 anos depois, em 2015: agora eu tenho, autografado!

A capa da segunda edição, 20 anos depois, em 2015: agora eu tenho, autografado!

Foi uma ótima noite, não preciso nem falar, não é? Mas o legal aqui é registrar o quanto me diverti – e aprendi, logicamente – com as opiniões dos diferentes designers – cumprimentei-os todos me apresentando – claro que eles em reconheceram, oras! Vocês acham que este blog “é pouquinho”?  – e logo em seguida fui pegar meu livro com dedicatória toda especial da mestra com quem tanto aprendi DEPOIS de muito ler. E aí começa no outro parágrafo…

Não dá pra contar tudo – nem posso, nem devo!  – o importante é dizer a vocês que o livro é um registro para lá de valioso do que se fez em design no Brasil desde o período em que os índios ainda pensavam no ‘shape‘ de suas canoas para pescar…  Maria Cecília vai dos primórdios até os dias de hoje, contando, tin-tin por tin-tin (expressão velha essa…), quem, como, onde, quando e por que foram se formando os designers e o design no Brasil: desde os tempos em que “móvel de verdade” vinha da Europa, de Portugal ou da França, pois o que era feito aqui era para uso “do povo”, não das casas ricas e “de quem contava”, digamos assim, de uma forma bem elitista (e totalmente furada, ou seja, politicamente incorreta e até mesmo indevida para tempos tão complicados como os que vivemos…  ). Mas é verdade: móveis ingleses, franceses, austríacos, tudo vinha de fora, até que com o crescimento da população era mais fácil fabricar aqui – mas ainda assim o design era europeu: Thonets, estilos ingleses como “Queen Anne’s” e franceses como “Pompadours, era o que se fazia nas marcenarias de terras brasileiras e só no início do século XX esse panorama mudou.

A cama “Patente” foi um marco na indústria nacional, também em termos de design.

A chamada “cama Patente” é um marco para a produção de móveis em escala no pais: com fábrica em Araraquara, interior de São Paulo, o design de 1915 de Celso Martinez Carrera, foi produzido até 1968. Era simples: tubular em madeira com estrado em metal e molas. Eu a conheci “pessoalmente” em casa de minha avó e sei que era um verdadeiro “feito” para a indústria nacional pois foi vendida de norte a sul do país. Algo que não se apaga em termos de design, por menos que ela lembre algo de “beleza + funcionalidade”. Mas a semente do que é o bom design ali estava, e a história é bem detalhada no livro.

A página sobre a paulistana Móveis Branco & Preto, da década de 50: estilo brasileiro à toda prova, reeditado hoje. Clique para ver maior.

A página sobre a paulistana Móveis Branco & Preto, da década de 50: estilo brasileiro à toda prova, reeditado hoje. Clique para ver maior.

Depois disso, um desfile de nomes importantes, todos com suas respectivas histórias bem contadas: dos pioneiros Lasar Segall, Gregori Warchavchik e John Graz, aos “arquitetos” que entre as décadas de 1930 e 1960 “deram as cartas” na arquitetura (e em seus interiores) no país: Niemeyer, Bernardo Figueiredo, Lucio Costa, Aída Boal, Vilanova Artigas, Oswaldo Bratke, Sérgio Rodrigues entre outros. Daí aos contemporâneos como Brunno Jahara, Guto Índio da Costa, Domingos Tótora, Carol Gay, Sergio J. Matos… O livro também cita expoentes como o mestre Zanine Caldas, o português altamente brasileiro Joaquim Tenreiro, a italiana toda baiana (e paulistana…) Lina Bo Bardi e as indústrias que firmaram o design nacional a nível industrial e voltado para escritórios: L´Atelier, de Jorge Zalsulpin e a Unilabor e a Móveis Hobjeto de Geraldo de Barros – em minha modesta opinião, as principais.  Para completar, é claro, os consagradíssimos designers que emergiram a partir da década de 70 a 80, quando já estávamos consumindo por aqui e participando de feiras no exterior: Fernando e Humberto Campana, Etel Carmona – que estava na plateia do debate e eu tietei mesmo!  Maurício Azeredo, Marcenaria Baraúna, Claudia Moreira Salles e um longo etc.

Outra página do livro com algumas peças de Etel Carmona: designer autodidata de destaque em nossa breve história. Clique para ver maior.

Outra página do livro com algumas peças de Etel Carmona: designer autodidata de destaque em nossa breve história. Clique para ver maior.

É, em resumo, um livro delicioso de se “devorar” se você gosta de design como eu gosto: elegante, com desenhos, detalhes, fotos e anúncios super interessantes sobre como a coisa foi sendo gestada por aqui. Claro que somos um país do futuro nesta área, mas eu fico tão satisfeita em ver que já engatinhamos tanto que chegamos a dar passos firmes em boas e várias direções. Um toque de classe aqui, outra boa solução ali e a gente vai mostrando o que tem de bom ao mundo. E o importante nem é este “mundo”: para mim, o importante mesmo é fazermos um bom mercado de design aqui mesmo, interno, com ótimas opções para todos os bolsos, estilos, gostos, ideias e ideais. Quanto mais gente trabalhando na área, quanto mais ateliês, estúdios, fábricas de todos os portes, melhor! Os preços caem, a oferta aumenta e a gente “fatura” com móveis e objetos de ótima qualidade e beleza. Oxalá seja nosso futuro na área…

Nota: se você discorda que os índios, antes mesmo de Cabral aportar por aqui, tinham até mesmo mais de um ‘shape‘ para suas canoas não sabe bem o que é design…

MÓVEL MODERNO NO BRASIL
Maria Cecília Loschiavo dos Santos
Editora Olhares
Ano 2015 – 2ª Edição
ISBN: 8562114456
(No momento, esgotado de novo…  )

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