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Morar Mais por Menos Rio 2017

Mais emoção que decoração: a Sala Suburbano Coração de Janete Oldenburg na mostra Morar Mais Rio 2017.

Mais emoção que decoração: a “Sala Suburbano Coração” de Janete Oldenburg na mostra Morar Mais Rio 2017.

Pois é né, voltei à profissão passada, mas a “cachaça”, o “vício” e a paixão continua a ser o design, então, não há como ficar de fora de toda a movimentação de mostras mais importantes daqui, dali e de acolá (agora mesmo me lembrei que a Maison & Objet tá rolando em Paris e que devo procurar algo a respeito para ler…  ), e a Morar Mais é um desses eventos que a gente não pode deixar de falar. Começou no início de agosto, quando eu estava muito cheia de trabalho mesmo e acabei deixando para ver tudo no final da mostra que coincidiria com minha primeira semana de férias. Fui, vi e gostei e nesse post vou tentar destacar um bocadinho do que vi, já avisando a quem está na dúvida que vale ir: sempre vale. É um detalhe aqui, uma ideia ali, e se você mantiver seus olhos, mente e coração abertos para receber O NOVO, sempre aprenderá algo bacana. Se não para usar já e em sua casa, para dar a dica a um amigo, para usar em outro lugar e para um largo etc…

Vou fazer um outro post sobre tendências, modismos e novas ideias que vi, mas começo por um pequeno resumo do que foi a mostra para mim neste ano: correta. Me deu a impressão de que foi a Morar Mais de sempre, com seus erros e acertos de sempre, seus “pecados”, falhas, faltas e esquecimentos, seus espaços compactos, pequenos que, na verdade, para que fiquem belos e confortáveis mesmo, têm que haver um investimento até maior que em um espaço mais amplo – o que choca frontalmente com a proposta “por menos” – mas que foi mais bonita, mais tranquila e mais dentro do se espera – ou, pelo menos, do que eu espero – de uma mostra de decoração desse tipo. Talvez o ambiente do Casashopping tenha propiciado isto pois, afinal de contas não é um espaço “mal arrumado” como foram os últimos, a exceção da Nova Cruzada, na Lagoa, que foi sendo acertada para a mostra com o passar do tempo – e mesmo assim a escada era um desafio cansativo para qualquer um…  O espaço do Flamengo era bem localizado mas muito mal organizado internamente e a sensação de labirinto em nada contribuía para que se tivesse uma ideia de organização que, a meu ver, arquitetura e interiores pressupõem logo de cara. Portanto, foi muito bom para mostra ter o espaço do shopping e o fluxo que foi criado dentro dele e, eu acho que todos gostaram: arquitetos expositores, fornecedores e público. Como sei que nem sempre é possível encontrar o local certo, torço para que, no ano que vem, ou o lugar se repita, ou que se encontre um outro bom local como foi o deste ano.

Note a variedade de cores do ambiente. Clique para ver maior.

Note a variedade de cores do ambiente. Clique para ver maior.

Mas falando da mostra em si, vejo que houve muitas apostas na moda da vez, o “estilo industrial“, urbano, urbanóide que, sinceramente, à exceção de uma ou outra peça ou material, não me ‘emociona’. Talvez eu esteja um pouco cansada do que é mutável e já aprecie mesmo o que fica com o passar do tempo, além de soluções, materiais e móveis mais comuns dentro de uma ótica mais inspirada, ou ainda, novidades que se justifiquem de fato, que é o que espero nesta mostra. E foi assim que vi o “Estúdio do Artista” de Erica Saraiva e Ana Cano Milman, logo na entrada: bonito, simples, colorido, sem afetação. Quando se fala a palavra “artista” logo se pensa em mirabolâncias e a única que vi foi um lindo lustre que ainda não me convenci totalmente ser uma peça de linha: para mim era uma verdadeira obra de arte feita sob medida para o ambiente, mas não: é de fato de uma loja do shopping. Muito bonito, ele me chamou atenção mas não monopolizou a correção do equilíbrio de mini sala, cozinha e sala de jantar do espaço de apenas 23 metros quadrados com direito a painel de cerâmica na parede de fundo, modernos planejados para cozinha e um elegante conjunto para jantar.

No ambiente de Fernanda Dorta o "estilo industrial" domina. Clique para ver maior.

No ambiente de Fernanda Dorta o “estilo industrial” domina. Clique para ver maior.

No “Apartamento Contemporâneo” de Fernanda Dorta, a parede principal mostrou um item que foi utilizado à farta de várias formas no evento: as portas metálicas de enrolar. Aqui, como um item decorativo e bem dentro do ‘l´esprit du temps‘ – isto é, do estilo industrial – eu diria que ficaram muito boas, originais, sofisticadas e que a profissional soube dosar com mobiliário do mesmo ‘top‘ e objetos idem: ponto para ela!  É assim que se faz um ambiente belo, interessante, inteligente, etc.

A mesa de bilhar que vira jantar e vice versa no ambiente de Cristiane Thomaz e Hélio Martins: gostei! Clique para ver maior.

A mesa de bilhar que vira jantar e vice versa no ambiente de Cristiane Thomaz e Hélio Martins: gostei! Clique para ver maior.

Depois vi espaços bonitos, mas sem nada que me chamasse a atenção especialmente, até que cheguei na “Sala de Jantar e Jogos” de Cristiane Thomaz e Helio Martins, que me chamou atenção de cara pela cor – é impressionante, não esqueçam: a cor muda tudo e eu vinha de espaços em que ela “não me dizia nada”, até que algo GRITOU, e foi o papel de parede desta sala: achei ele lindo, depois avaliei se era apropriado em termos de textura, espessura, essas coisas de profissional – troquei uma ideia com Helio, que estava por ali, e foi ótimo. Gostei muito também da mesa de bilhar e de jantar da Blackball – depois até vi a loja deles no shopping, em um dos blocos lá da frente, e achei ótima mesmo para aqueles solteiros que adoram um jogo e têm apartamento apertado – nada melhor. A mesa redonda de cartas também vira de jantar, e a mesa de jantar da Breton, muito bem posta, estava linda. Sim o ambiente todos estava mais para showroom, concordo, mas era funcionalidade pura e para uma mostra eu considerei perfeito. Adorei.

Com a bancada da pia ao fundo, a "Cozinha da Boa Forma" exibe a bancada de refeições e do cooktop. Clique para ver maior.

Com a bancada da pia ao fundo, a “Cozinha da Boa Forma” exibe ao centro a bancada de refeições e do cooktop. Clique para ver maior.

Saindo dali dei com um espacinho ‘piccolo‘ e especialíssimo: a “Cozinha da Boa Forma” de Jane Ramos e Marco Antonio ficou muito bem composta, com todos os armários planejados e bem pensados. Chamavam a atenção os revestimentos – fiz um clip destacando só as pastilhas da Colormix escolhidas para a bancada que foi muito acessado em nossa página no Facebook – as cores, os acabamentos, tudo do bom e do melhor escolhido pela dupla: um destaque realmente.

Comportada, correta e bela "Sala do Pai Solteiro" de Avner Posner. Clique para ver maior.

Comportada, correta e bela: a “Sala do Pai Solteiro” de Avner Posner. Clique para ver maior.

Aí cheguei à “Sala do Pai Solteiro” de Avner Posner, e achei tudo tão bem colocado, tão bem feito, que me emocionei: é o tipo de espaço que a gente espera encontrar nessa mostra, já que novos tipos de família que se formam na sociedade precisam ser retratados. Ou seja: pais solteiros que recebem a(s) namorada(s), os amigos, clientes e filhos em suas pequenas casas precisam também de orientação sobre como arranjar seus estares, jantares, cozinhas, quartos e uma série de situações em espaços exíguos de forma prática, agradável, confortável a todos – inclusive a eles, pois é seu espaço de viver. Ponto para Avner, que escolheu uma temática difícil e soube levá-la com bom gosto e criatividade.

O lindo "Quarto do Bebê Seguro": nada a tirar, nada a acrescentar. Clique para ver maior.

O lindo “Quarto do Bebê Seguro“: nada a tirar, nada a acrescentar. Clique para ver maior.

Um ambiente que destoa da mostra pelo seu tamanho e beleza é o “Quarto do Bebê Seguro” de Roselisa Monteiro. Destoa por que é espaçoso mesmo, tem lugar para tudo – berço, cama de acompanhante, armários, trocador, poltrona de amamentar e espaço vazio, ou seja, está sobrando espaço por ali. Claro, é um local de circulação mas nota-se que “sobra”. E a profissional foi muito feliz na escolha dos papeis de parede neutros com estampas alegres e diferentes entre si, e também nos que tem cor e ao escolher as paredes certas ao aplicá-los. Achei tudo lindo…

Todas as necessidades satisfeitas no "Estúdio Delas": mas quem disse que a gente quer só isso? Clique para ver maior.

Todas as necessidades satisfeitas no “Estúdio Delas“: mas quem disse que a gente quer só isso? Clique para ver maior.

Cabe um comentário “auto crítico” (  ) ao “Estudio Delas” de Camila Mesquita: em apenas 24,5 m², Camila conseguiu a proeza de encaixar uma boa sala com sofá cama, TV grande e cozinha boa, banheiro confortável, mesa para trabalho ou estudo e um bom cabideiro: tudo o que uma mulher precisa, mas nem tudo o que uma mulher quer – olha a diferença! E é por aí que vou, “sabedoura” que sou que eu não caberia ali com todos os meus livros (não tenho mais discos nem CDs), e bugigangas mil, minhas revistas, meus achados e perdidos, meus queridos quadrinhos e badulaques que, se não são absolutamente importantes, fazem uma vida. E é aí que fica o problema: como conciliar a vida moderna – que só nos deixa com 25 metros quadrados de “espaço pagável”, e a mesma metragem para comer e dormir – se a gente tem tantos outros interesses? Algo a ser esclarecido por antropólogos, sociólogos e psicólogos – que nem sei se ainda se interessam pelo assunto – ou pelos teólogos mesmo, que devem nos fazer ver que somos mais espírito que matéria, e que o negócio é desapegar… zen

O super delicado e belo "Quarto da Menina". Clique para ver maior.

O super delicado e belo “Quarto da Menina“. Clique para ver maior.

Um dos espaços que efetivamente me chamou a atenção pois estava na filosofia da mostra foi o “Quarto da Menina” de Ana Paula Sarmento. Nada de aventuras, grandes extravagâncias ou confusões: apenas a cama, cômoda, um cantinho com tenda/cabaninha que é o grande frisson da garotada atualmente (e dos pais e mães também), lugar de brincar, de ler, de tudo. Havia também mesinha para ler e estudar, revestimento em madeira reaproveitada e pintura especial suave para pontuar os setores. Iluminação suave em LED completava tudo e o mobiliário solto, fácil de ser trocado, era uma benção para quem pensa que tudo é caro e difícil de mudar, se for preciso.

No belo espaço de Guilherme Bezerra, descontração e muitos drinks são a tônica. Clique para ver maior.

No belo espaço de Guilherme Bezerra, descontração e muitos drinks são a tônica. Clique para ver maior.

Um espaço que não está bem registrado no catálogo do evento – faço tudo com base nele, mas sei que nem sempre as datas de fechamento concordam com as de montagem e obra…  – mas que eu achei da melhor qualidade foi “Espaço Resenha” de Guilherme Bezerra. A mim me pareceu uma verdadeira “área fechada de churrasqueira”, que deveria ser apenas um terraço ao ar livre onde todos se encontram para papear: uma cozinha gourmet, bem planejada, uma baita churrasqueira com uma super coifa, uma boa geladeira para a cervejinha, bancos e bancadas aqui e ali, telão para o filme ou o jogo – faltava piscina, certo, mas para a noite, nada melhor. Estava tudo bem produzido para um espaço exíguo e ainda de passagem, com equipamentos de alta qualidade e cores e revestimentos muito bem escolhidos. Ponto para o profissional!

Um oásis de fato relaxante o espaço de Andressa Fonseca e Maria Clara Costanza. Clique para ver maior.

Um oásis de fato relaxante o espaço de Andressa Fonseca e Maria Clara Costanza. Clique para ver maior.

Achei um “descanso em meio ao caos” o espaço “Um Estar Para Relaxar” de Andressa Fonseca e Maria Clara Costanza: escurinho, aconchegante, sossegado, me deu vontade mesmo de fechar as portas e ficar ali quietinha assistindo uma TV e/ou simplesmente fazendo nada, pensando nada. Detalhe importante, a beleza: as paredes trabalhadas com produto da Parquet Nobre ficaram lindas e mais acolhedoras ainda! Mas eu nem ousei sentar no sofá – podia, fui convidada!  – pois ele parecia TÃO confortável, mas TÃO confortável, que meu medo mesmo foi de desmontar, fazer feio e dormir feito louca varrida (ou apenas tonta cansada, quem sabe…)!

Ampla e feita no espírito econômico da mostra, a "Cinemateca" me impressionou positivamente. Clique para ver maior.

Ampla e feita no espírito econômico da mostra, a “Cinemateca” me impressionou positivamente. Clique para ver maior.

Para finalizar, nada como a “Cinemateca” de Natália Veronezi e Marlon Branco: há tempos eu não via um espaço para cinema tão bem feito em uma mostra! Para mim, home theater é reduzido, mas se você chama de ‘sala de cinema’ ou de ‘cinemateca’ tem que ser grande mesmo, ou seja, é para uma casa. E este ambiente era para uma casa, ou seja para a família, para os amigos. Farto, espaçoso e nem por isso caríssimo, caberia um telão com um bom projetor, degraus revestidos em carpete e colocados pallets para criar arquibancadas cobertas por futons – conceito “cabe no bolso”, perfeito! Ao fundo, a parede adesivada que dava a ideia de continuidade, profundidade no salão. Pufes e almofadas completavam o espaço e o conforto se houvesse muita gente.

Simpático e bem posicionado: "Estar Safety Film".

Simpático e bem posicionado, o “Estar Safety Film“.

Ao final, as lojas da mostra que os profissionais costumam fazer bem e como ficam cheias a gente pouco vê “a base”. São “válidas como exercício”, talvez? Uma exceção que parei para ver foi o “Estúdio Noivos” de Victor Niskier – que eu pensei se tratar de um lugar onde os futuros casais poderiam contratar vários serviços para o casamento e leio agora no catálogo que o objetivo seria o “pós casamento”… surpreso – o Restaurante Café de Jorge Vasconcelos – confesso que as cadeiras me chamaram a atenção pois eram super confortáveis – e o “Estar Safety Film“, localizado logo na entrada da mostra, muito bem montado por Daniela Brandão e Avner Posner, que fotografei assim que cheguei.

"Sonho de consumo da mostra": o sofá suspenso do espaço de May Lee Chaves e Virginnia Fraga!

“Sonho de consumo da mostra”: o sofá suspenso do espaço de May Lee Chaves e Virginnia Fraga!

Não posso deixar de comentar alguns espaços para os quais não faço um verdadeiro parágrafo, mas que me pareceram muito bem construídos/pensados/montados:
. A “Sala Suburbano Coração” de Janete Oldemburg me pareceu uma colagem de emoções: muito bonita e vivida, menos a ver com mostra, muito a ver com sentimentos!
. O “Quarto do Casal Flow” de Camila Fleck e a “Sala Brasilis” de Rafaella Murbach são de uma elegância e bom gosto únicos. Dos revestimentos aos móveis, passando pelos objetos, alto nível em tudo, em espaço restrito, o que é um ponto alto;
. A “Sala Multifuncional da Família” de Cyntia Sabat, profissional que sabe dosar bom gosto, valor adequado e boas escolhas. Cyntia faz Morar Mais há muito tempo, acho que ela já sabe o “como fazer” muito bem;
. O “Espaço Vivência e Convivência” de May Lee Chaves e Virginnia Fraga: é praticamente composto por um sofá suspenso com um futon e muitas almofadas e deu vontade de trazê-lo para casa, apesar de eu não ter uma varanda enorme que o comportasse! smiley14
. O “Espaço Degustação Maldivas” de Fernanda Palles é apenas uma pequena cozinha com uma mesa de refeições, mas com tudo muito bem escolhido, encanta pela beleza dos itens.

Há alguns ambientes amplos e cheios de coisas que se perdem em sua grandeza, o que é um verdadeiro pecado. São belos, mas não significa que alguém vá se sentir bem ali dentro. Me abstenho de criticá-los abertamente pois estou tentando ser um pouco mais “branda” em minhas notas, mas a verdade é que há que se refletir quando você se propõe a fazer uma mostra que tem vários pressupostos e você vai na direção oposta…  Enfim, cada um com seu cada qual.

Não deixe de ir!

Morar Mais Por Menos Rio 2017
Até 17 de setembro
Das 12h às 21h
No CasaShopping

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